Guia de Saúde da Mulher, Pré-Natal e Cuidados Infantis

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Câncer do Colo do Útero

O Câncer (CA) do colo do útero, também chamado de cervical, demora muitos anos para se desenvolver. As alterações das células que podem desencadear o câncer são descobertas facilmente no exame preventivo; por isso, é importante a sua realização periódica. A principal alteração que pode levar a esse tipo de câncer é a infecção pelo papilomavírus humano (HPV), com alguns subtipos de alto risco relacionados a tumores malignos.

É o segundo tumor mais frequente na população feminina, atrás apenas do de mama, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Atualmente, 44% dos casos são de lesão precursora do câncer, chamada in situ, e não da forma mais agressiva da doença, a invasiva. Mulheres diagnosticadas precocemente, se tratadas adequadamente, têm praticamente 100% de chance de cura. Próximo à Junção Escamo-Colunar (JEC) situa-se a zona de transformação (de epitélio colunar em escamoso - metaplasia escamosa), onde ocorrem 90% dos casos de câncer cervicouterino.

Fatores de Risco:

  • Início precoce da atividade sexual;
  • Multiplicidade de parceiros sexuais;
  • Tabagismo (diretamente relacionado à quantidade de cigarros fumados);
  • Baixa condição socioeconômica;
  • Imunossupressão;
  • Uso prolongado de contraceptivos orais;
  • Higiene íntima inadequada.

Promoção da Saúde:

  • Alimentação saudável;
  • Atividade física regular;
  • Evitar ou limitar a ingestão de bebidas alcoólicas;
  • Parar de fumar.

Vacinação: É importante enfatizar que as vacinas não protegem contra todos os subtipos do HPV. Sendo assim, o exame preventivo deve continuar a ser feito mesmo em mulheres vacinadas.

Rastreamento: Pode reduzir a taxa de incidência de câncer invasor em até 90%, se feito corretamente e com alta cobertura populacional.

Recomendações:

  • Periodicidade: Os dois primeiros anuais; se negativos, a cada 3 anos.
  • Faixa etária: De 25 a 60 anos.
  • Mulheres com fatores de risco: O início deve ser mais precoce (logo que iniciar a vida sexual) e a periodicidade com intervalos menores.

Situações Especiais:

  • Presença de corrimento (colpite ou colpocervicite): Prejudica a interpretação da citopatologia; a mulher deve ser examinada, tratada a infecção e retornar para coleta do colpocitológico.
  • IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis): Mulheres que apresentam IST têm maior risco de apresentarem também lesões precursoras do câncer cervicouterino, devendo fazer o preventivo mais frequentemente.
  • Gestação: Deve ser feito até o 7º mês; não usar escova endocervical.
  • Mulheres virgens: Não deve ser feito.
  • Histerectomia: Deve ser feito se subtotal (preservou o colo uterino); se foi total (sem colo uterino), o Ministério da Saúde recomenda esfregaço de fundo de saco vaginal.

Atribuições dos Níveis de Atenção:

  • Unidade Básica: Citologia de rastreamento e controle citológico.
  • Unidade Secundária: Controle citológico, colposcopia, biópsia e método excisional.
  • Unidade Terciária: Cirurgia (conização, histerectomia), quimioterapia e radioterapia.

Colpocitológico (Papanicolau):

  • Coleta da ectocérvice com espátula de madeira.
  • Coleta da endocérvice com escova endocervical (exceto em gestantes).
  • Orientações prévias: Não utilizar duchas, medicamentos vaginais ou exames intravaginais (como ultrassonografia) durante 48 horas antes da coleta; evitar relações sexuais durante 48 horas antes; evitar anticoncepcionais locais e espermicidas nas 48 horas anteriores.
  • Período: O exame não deve ser feito no período menstrual. Aguardar o 5° dia após o término da menstruação.

Resultados e Condutas:

  • Amostra insatisfatória: Repetir de imediato.
  • Resultado normal: Repetir em 1 a 3 anos.
  • Alterações celulares benignas (inflamação, metaplasia, reparação, atrofia): Repetir em 1 a 3 anos; tratar inflamação se houver sintomas; atrofia pode ser tratada com estrogênio tópico.
  • Alterações pré-malignas ou malignas: Encaminhamento imediato para o nível secundário (colposcopia/biópsia).
  • Células escamosas atípicas (ASC-US): Pode-se repetir a colpocitologia em 6 meses na UBS (exceto imunodeprimidas).

Câncer de Mama

É o câncer mais comum em mulheres. Tem bom prognóstico se diagnosticado e tratado precocemente. Geralmente pode ser detectado ao exame clínico quando alcança 1cm, mas aí já se passaram cerca de 10 anos de evolução subclínica. O sinal mais comum é um nódulo palpável na mama ou linfonodo na axila, além de possíveis alterações na pele.

Fatores de Risco:

  • História familiar: Parentes de primeiro grau acometidas antes dos 50 anos.
  • Idade: O risco aumenta com o envelhecimento.
  • Menarca precoce e menopausa tardia (após os 50 anos).
  • Primeira gravidez após os 30 anos e nuliparidade.

Prevenção:

  • Primária: Evitar obesidade e tabagismo. Casos de alto risco podem ter indicação de aconselhamento genético ou mastectomia.
  • Secundária: Detecção precoce com exame clínico e mamografia a cada 1 ou 2 anos (faixa de 40 a 69 anos).

Exame Clínico e Autoexame:

  • Exame Clínico: Avaliação sentada (inspeção estática/dinâmica e linfonodos) e deitada (palpação vertical com três níveis de pressão).
  • Autoexame: Não reduz mortalidade isoladamente, mas incentiva o autoconhecimento.

Classificação BI-RADS:

  • 0: Inconclusiva (avaliação adicional).
  • 1 e 2: Benigno (rotina).
  • 3: Provavelmente benigno (seguimento precoce).
  • 4, 5 e 6: Suspeito ou maligno (encaminhamento para referência).

Saúde da Mulher e Planejamento Familiar

A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) visa reduzir a morbimortalidade por causas evitáveis. No atendimento, é crucial valorizar as queixas e considerar fatores como sobrecarga de trabalho e pobreza.

Anticoncepção:

A escolha do método deve considerar eficácia, efeitos secundários e aceitabilidade. As categorias de elegibilidade variam de 1 (sem restrição) a 4 (risco inaceitável).

  • Métodos Comportamentais: Tabelinha (baseada no ciclo), Temperatura Basal e Muco Cervical (Método Billings).
  • Métodos de Barreira: Condons (protegem contra IST/HIV) e Diafragma (usar com espermicida).
  • Anticoncepcionais Orais: Inibem a ovulação. Devem ser tomados diariamente no mesmo horário. Em caso de esquecimento de 2 ou mais pílulas, usar método de barreira.
  • DIU: Impede a fecundação; inserido preferencialmente durante a menstruação.
  • Métodos Cirúrgicos: Laqueadura e vasectomia (indicados para >25 anos ou com 2 filhos).

Assistência ao Pré-Natal

O pré-natal deve ter captação precoce (até 120 dias) e no mínimo seis consultas. A assistência inclui imunização antitetânica, avaliação nutricional e exames laboratoriais (ABO-Rh, Glicemia, VDRL, HIV, Urina, Hepatite B e Toxoplasmose).

  • Cálculo da DPP: Somar 7 dias ao primeiro dia da DUM e subtrair 3 meses.
  • Consultas: Mensais até a 28ª semana; quinzenais até a 36ª; semanais até o parto.
  • Suplementação: Ácido fólico no pré-concepcional e Sulfato Ferroso se houver anemia (Hb < 11 g/dl).

Saúde da Criança e Aleitamento Materno

As ações prioritárias incluem acompanhamento do crescimento, imunização e promoção do aleitamento materno.

Crescimento e Desenvolvimento:

  • Peso/Idade: Principal medida para acompanhar o crescimento até 1 ano.
  • Perímetro Cefálico: Monitorado até os 2 anos para detectar hidrocefalia ou microcefalia.
  • Marcos do Desenvolvimento: 2-4 meses (levanta a cabeça), 12-18 meses (anda sozinha), 2-3 anos (diz o nome).

Aleitamento Materno:

Deve ser exclusivo até os 6 meses e complementado até os 2 anos ou mais. Benefícios incluem proteção imunológica, vínculo afetivo e redução da mortalidade infantil. A técnica correta envolve o bebê abocanhar a aréola ("boca de peixe") e amamentação sob livre demanda.

Calendário Nacional de Vacinação

  • Ao nascer: BCG e Hepatite B.
  • 2, 4 e 6 meses: Tetravalente (DTP+Hib), VOP, VORH (Rotavírus) e Pneumocócica 10.
  • 3 e 5 meses: Meningocócica C.
  • 9 meses: Febre Amarela.
  • 12 meses: Tríplice Viral (SCR) e reforço Pneumocócica.
  • 15 meses: Reforços DTP, VOP e Meningocócica C.

Manejo de Diarreia e Infecções Respiratórias (IRA)

  • Diarreia: A prioridade é a reidratação para evitar a desidratação (classificada em leve, moderada ou severa).
  • IRA: Identificar sinais de gravidade como taquipneia, tiragem subcostal e estridor em repouso. Fatores de risco incluem desnutrição e tabagismo domiciliar.

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