Legado Romano: Língua, Religião, Direito e Economia

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A Língua, a Religião e o Direito

A língua foi, com certeza, a herança mais duradoura que os Romanos nos legaram. O latim, inicialmente limitado aos atos e documentos oficiais, rapidamente se difundiu, facilitando a comunicação entre conquistadores e conquistados. A partilha de uma língua comum tornou-se, como é evidente, um poderoso elemento de uniformização cultural. No mesmo sentido atuaram a religião e o Direito.

A religião, porque estendeu os deuses romanos oficiais às regiões mais longínquas. Neste domínio, mais uma vez atuou positivamente a tolerância romana, que soube impor os seus cultos sem proibir os alheios. As antigas divindades locais coexistiram pacificamente com as divindades romanas, às quais, porém, se destinavam os templos mais sumptuosos. É neste contexto que devemos integrar o culto do imperador.

Quanto ao Direito, ele desempenhou, como já vimos, um papel primordial nas relações entre os Romanos e os povos dominados. O respeito pela lei era imposto a todos e todos o aceitavam, vendo nele a garantia da ordem, da segurança e da paz. Para além disso, as regras definidas pelo Direito espelhavam a forma de pensar dos Romanos, os seus valores e a sua ideia de justiça que, por esta via, se iam disseminando pelo Império.

O Desenvolvimento Económico e a Rede Viária

Em termos económicos, as províncias sofreram, com a chegada dos Romanos, profundas alterações. Os Romanos desenvolveram extraordinariamente as regiões ocupadas. Aproveitaram os solos, praticando uma agricultura intensiva, virada para a exportação. Grandes propriedades rústicas, tipicamente romanas, as villae, espalharam-se um pouco por toda a parte, produzindo bens comerciados por todo o Império. Em complemento, mantinha-se uma criação pecuária abundante.

A par de uma intensa atividade agro-pastoril desenvolveram-se as indústrias. Em primeiro lugar as de extração mineira, mas também as forjas, olarias, tecelagens e indústrias conserveiras tiveram grande implantação. Famoso pelo seu sabor requintado ficou o garum, conserva de peixe muito apreciada em todo o Império, de cujo fabrico restam, no nosso país, numerosos testemunhos.

Em consequência desta vitalidade produtiva, crescem as feiras, multiplicam-se os mercados e uma azáfama ruidosa anima as cidades. A moeda circula abundantemente. Cabe aqui uma referência à excelente rede de estradas com que os Romanos recobriram todas as regiões do Império. Embora construída com propósitos administrativos e militares, a rede viária romana foi essencial ao desenvolvimento do comércio. Graças a estas ligações fáceis, todo o império partilhava do mesmo dinamismo económico. É o primeiro mercado comum europeu: um espaço económico vasto, articulado e coeso, que só nos nossos dias, dois milénios passados, volta a ganhar forma.

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