Leveduroses e Candidíase: Guia de Espécies e Tratamentos

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Leveduroses (candidíase, criptococose e outras como tricosporose).
Agentes causais: saprobiota/microbiota.
Hospedeiro: imunocompetentes ou imunossuprimidos (fatores de risco).
Levedura: ascosporada/capsulada.
Espécies de Candida: C. albicans, C. tropicalis, C. parapsilosis, C. kefyr, C. glabrata, C. krusei, C. guilliermondi, C. lusitaniae, C. dubliniensis. A C. albicans possui 8 cromossomos e genoma diploide.

Fatores de risco:

  • Fisiológicos: gravidez, velhice, prematuridade;
  • Hematológicos: deficiência na imunidade celular (AIDS), anemia, leucemia, diabetes, linfoma;
  • Traumáticos: queimadura, infecção;
  • Iatrogênicos: contraceptivo oral, cateter, antibióticos, esteroides, quimioterapia.

Candidíase:

  • Cutâneas e mucocutâneas: bucal, vaginal, onicomicose, pênis/úmidos, intertriginosa. A candidíase vulvovaginal é comum entre as mulheres, sendo a segunda causa de vulvovaginite (40-50% dos casos, com 5% apresentando padrão crônico de recorrência).
  • Sistêmica: esofagite, infecção pulmonar, cistite, pielonefrite, endocardite, miocardite, peritonite, hepatoesplênica, endoftalmite, artrite, osteomielite, meningite.

Formas da doença: Cutânea, Mucocutânea e Sistêmica (sinais e sintomas de infecção sistêmica associados ao isolamento ou demonstração da presença de Candida spp. em tecidos e órgãos habitualmente estéreis: sangue, LCR, urina colhida por punção suprapúbica ou cateterização vesical, líquido peritoneal, material de biópsia e necropsia).

A Candida foi a segunda infecção sanguínea com maior aumento e um dos microrganismos que mais causaram infecções hospitalares (IH). Os microrganismos de ambiente hospitalar vêm principalmente de fômites, água, drenos, implantes, cateter e ar. O isolamento de C. albicans pode ocorrer em fontes exógenas, águas recreacionais (indicador de poluição fecal) e meio hospitalar (comida, ar, chão, fômites, camas, escovas de dentes).

Transmissão:

  • Fonte exógena: infecção cruzada (pacientes, visitantes, equipe profissional, meio ambiente).
  • Fonte endógena: microbiota do paciente que coloniza e pode vir a infectar.
  • Vias de infecção: aérea, gotículas, contato direto/indireto, veículos de uso comum.

Patogenia da candidíase invasiva: a colonização da pele pode infectar por cateter ou ferida, contaminação de solução IV, colonização do trato gastrointestinal (TGI) e urinário.
Fatores de risco para candidíase invasiva: aumento da colonização (antibióticos, hiperglicemia, colonização em diferentes sítios e por Candida não-albicans). Disseminação: duração de neutropenia, uso de cateter, hemodiálise, idade. Lesão na mucosa: nutrição parenteral, quimioterapia intensa, radioterapia, cirurgia, doença de enxerto contra hospedeiro.

Deve-se identificar a levedura até a espécie, pois há diferença na terapia.
Tratamento:

  • Candidíase cutânea: cetoconazol, miconazol, nistatina.
  • Sistêmicos: anfotericinas, equinocandinas, fluconazol, itraconazol, voriconazol.
  • Mucocutânea crônica: anfotericina, fluconazol, itraconazol.

Seminário Cândida: O ergosterol é componente da membrana celular dos fungos e, como está ausente na membrana celular animal, é alvo de antifúngicos. A Anfotericina B liga-se ao ergosterol, provoca um poro polar na membrana, levando à saída de íons e moléculas, gerando a morte celular. Os azóis têm como alvo os genes ERG11 e ERG5, que mediam a síntese do ergosterol. O objetivo do estudo é entender como a cepa CA108 consegue se manter patógena apesar de não ter ergosterol. Materiais e Métodos: isolados de CA6/14/177 (com 80% de ergosterol) comparados com CA108 (isolado da boca de paciente com candidíase recorrente). Foram usados testes de sensibilidade, análise de ergosterol, exames morfológicos e PCR para verificar mudanças nos aminoácidos. Resultado: todos foram sensíveis à anfotericina B, exceto o CA108, onde houve mudança de aminoácido no ERG11 e uma inserção no ERG5; diferenças morfológicas não foram notadas. Discussão: O CA108 é um mutante, pois houve acúmulo do precursor, mas não do ergosterol; a mutação ERG11 contribui para a resistência contra azóis.

Seminário Caspofungina: A virulência e patogenicidade da Candida estão associadas à formação de hifas, estrutura da superfície celular, alterações fenotípicas e produção de enzimas extracelulares hidrolíticas. Polienos e azóis interrompem a síntese de ergosterol. A Caspofungina inibe a síntese de beta-1,3-glucana (polímero majoritário da parede celular), causando instabilidade osmótica e lise. Objetivo: analisar o efeito da caspofungina sobre a liberação de peptídeos a partir de células de C. albicans em PBS (meio que não favorece o crescimento). A caspofungina induz a liberação de proteínas de diferentes lugares da célula, interfere na biossíntese de beta-1,3-glucana, levando a uma remodelação da parede e aumento da permeabilidade.

Candidemia em UTI: A Candida é a 4ª ou 5ª causa principal de infecção sanguínea em UTIs (35-40%), correspondendo a 80% das infecções fúngicas, com alto custo. Desafios: potencial patogênico, fatores de patogenicidade (aderência, dimorfismo, invasão, enzimas proteinases e fosfolipases), suscetibilidade e resistência adquirida a azóis.

Perfis das Espécies:

  • C. dubliniensis: similar à albicans, comum em pacientes com AIDS, baixa porcentagem no Brasil, patogenicidade menor que albicans, mas desenvolve resistência facilmente.
  • C. tropicalis: alto potencial oportunista (neutropênicos, supressão de microbiota, danos GI), 2º ou 3º agente mais comum em pacientes neoplásicos e sem doença de base.
  • C. glabrata: patógeno hospitalar, menor suscetibilidade a fluconazol e anfotericina B; comum em idosos.
  • C. parapsilosis: patógeno hospitalar de fungemias (crianças e RN prematuros em UTI), prolifera em soluções com glicose, forma biofilme e coloniza a pele.
  • C. krusei: patógeno hospitalar ocasional (doenças hematológicas malignas), resistente intrínseco ao fluconazol.
  • C. guilliermondi: infecções invasivas infrequentes, mas emergente em câncer; resistência in vitro à anfotericina B.
  • C. lusitaniae: pouco frequente em doenças invasivas, resistência à anfotericina B, mas sensível a triazólicos.

Fatores de risco adicionais: alteração dos mecanismos de defesa e barreiras anatômicas (desequilíbrio da microbiota, translocação no tubo gastrointestinal). O CVC (Cateter Venoso Central) é uma ponte entre o ambiente hospitalar e o paciente. Sintomas: febre, lesões cutâneas/oculares, endoftalmite. Complicações: retinite, meningite, osteomielite.

Tratamento por Condição:

  • Candidemia não-neutropênico: fluconazol, equinocandinas, anfotericina B lipossomal/desoxicolato, voriconazol.
  • Neutropênico: equinocandinas, anfotericina B lipossomal, fluconazol, voriconazol.
  • Candida disseminada crônica: estável (fluconazol ou equinocandina); grave (anfotericina B lipossomal ou equinocandina seguida de fluconazol).

A avaliação de sensibilidade in vitro é necessária em imunocomprometidos, má resposta sistêmica, histórico de uso de azóis ou espécies pouco estudadas. A identificação da espécie orienta o tratamento.

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