Metabolismo da Glicose e Regulação Glicêmica
O fígado exerce papel regular sobre os carboidratos (CHO) da dieta, atuando como um agente glicostático. Após serem absorvidos, os CHO chegam ao fígado pela veia porta. As células hepáticas convertem frutose e galactose em glicose. O órgão converte excessos de glicose em estoques (glicogênio) e reverte esse estoque em glicose quando há necessidade de manutenção dos níveis de glicose sanguínea.
Ciclo de Cori
Ativado em situações onde há fornecimento limitado de oxigênio (ex: músculo durante exercício vigoroso), o piruvato é reduzido a lactato. Quando o oxigênio torna-se novamente disponível, o lactato é reoxidado no fígado, gerando glicose novamente.
Processos Metabólicos
- Glicogenólise: Quebra do glicogênio em glicose, ocorrendo no fígado e músculos. É utilizada quando há necessidade de glicose no organismo; a glicose é produzida a partir dos depósitos existentes de glicogênio hepático.
- Glicogênese: Síntese de glicogênio a partir de glicose. É utilizada sempre que o nível de glicose no sangue estiver acima do normal.
- Gliconeogênese (ou Neoglicogênese): Formação de glicose partindo de fontes que não sejam carboidratos (aminoácidos, glicerol e lactato). É o reverso da glicólise; o fígado possui capacidade enzimática para realizar a gliconeogênese.
Importância da Manutenção da Glicemia
Os tecidos dependem da glicose. O Sistema Nervoso Central (SNC) tem como principal fonte de energia a glicose, pois ela consegue atravessar a barreira hematoencefálica.
- Glicemia em jejum: 70 a 99 mg/dL
- Glicemia pós-prandial: 140 a 150 mg/dL
Fontes de Glicose Sanguínea
- Absorção de carboidratos da dieta;
- Degradação do glicogênio hepático/muscular (glicogenólise);
- Gliconeogênese a partir de aminoácidos, glicerol e lactato.
Remoção de Glicose Sanguínea
- Captação celular contínua para a produção de energia;
- Síntese de glicogênio hepático (glicogênese);
- Síntese de lipídeos no fígado e no tecido adiposo (lipogênese);
- Eliminação renal, quando o limiar renal é excedido.
Regulação da Glicemia
- Tiroxina (T4): Produzida pela glândula tireoide. Aumenta o metabolismo basal (estimula o metabolismo muscular e hepático), a velocidade do metabolismo basal e a absorção intestinal de carboidratos, elevando a concentração de glicose sanguínea. Estimula a glicogenólise e a gliconeogênese hepáticas.
- Adrenalina: Produzida pela medula da adrenal. Estímulos principais: medo, luta, dor, estresse, ansiedade, hipoglicemia e exercício intenso. Estimula a degradação do glicogênio hepático em glicose sanguínea, inibe a síntese de glicogênio e promove a degradação do glicogênio muscular em lactato.
- Glicocorticoides (Cortisol): Produzido pelo córtex da adrenal. Estimula a gliconeogênese a partir de aminoácidos (aumentando a glicemia) e estimula a glicogenólise por estimular o glucagon.
- Hormônio do Crescimento (GH): Antagoniza a ação da insulina. Diminui a captação e utilização da glicose do sangue (reduz a ligação da insulina aos tecidos periféricos), aumenta a mobilização de lipídeos para fins energéticos e o débito hepático de glicose. Possui possível efeito diabetogênico, pois sua ação hiperglicemiante pode levar à exaustão das células beta.
- Insulina: Produzida pelas células β das ilhotas pancreáticas. Aumenta a velocidade de captação da glicose pelas células musculares e adiposas para a produção de energia, aumenta o armazenamento de glicogênio no fígado e músculo, estimula a conversão de glicose em gordura no fígado e tecido adiposo e inibe a gliconeogênese.
- Glucagon: Produzido pelas células α das ilhotas pancreáticas. Estimula a glicogenólise hepática, a gliconeogênese e o transporte de aminoácidos glicogênicos.
O índice glicêmico classifica os alimentos de acordo com a velocidade com que são digeridos e absorvidos no período pós-prandial, mensurando seu efeito na glicemia.