Consolidação de Fraturas Ósseas: Fases, Tipos e Fatores
Resumo
O texto descreve o processo de consolidação das fraturas ósseas, explicando os fatores mecânicos e biológicos que o influenciam e as diferenças entre a reparação do osso cortical e do osso esponjoso. Apresenta as seis fases da consolidação, desde o hematoma até a remodelação, e os tipos de tratamento, incluindo as particularidades das fraturas em crianças e adolescentes.
Pontos-chave
- Quanto menor a mobilidade no foco da fratura e maior o aporte sanguíneo, melhor é a consolidação óssea.
- O osso cortical tem vascularização intrínseca menor e consolida por calo, enquanto o osso esponjoso tem maior vascularização e consolida diretamente entre as superfícies ósseas, sem calo.
- A consolidação passa por seis fases: hematoma, inflamação, proliferação celular, calo mole, calo duro e remodelação.
- O calo duro corresponde à mineralização do osso primário e prolonga-se por vários meses.
- A remodelação remove o excesso de osso fora das linhas de força e pode levar de meses a anos.
- A consolidação primária envolve cirurgia com redução anatômica e fixação rígida; a secundária é conservadora, com imobilização gessada ou tração.
- Nas crianças, o osso tem maior plasticidade e capacidade de remodelação devido ao periósteo e às físes.
Processo de Consolidação de Fraturas
Profa. Milena Livio
Fatores que Influenciam na Consolidação das Fraturas
- Fatores Mecânicos: Mobilidade no foco de fratura. Quanto menor a mobilidade, maior a facilitação na consolidação óssea.
- Fatores Biológicos: Aporte sanguíneo no foco da fratura. Quanto maior, melhor.
Mecanismos da Consolidação Óssea
Fratura no Osso Cortical: Região diafisária do osso longo (osso tubular e denso).
- Cortical espessa: Maior ação do periósteo.
- Menor vascularização intrínseca: Canais de Havers e Volkmann.
- Maior vascularização extrínseca: Inserções musculares.
- Menor superfície de contato com os fragmentos fraturados.
Fratura no Osso Esponjoso: Região metafisária e epifisária do osso longo, corpo dos ossos curtos e chatos.
- Maior vascularização intrínseca: Osso trabecular.
- Menor vascularização extrínseca: Trajeto de tendões.
- Maior superfície de contato com os fragmentos fraturados.
Reparação de Ossos Esponjosos
- Segue um processo diferente da consolidação de ossos corticais.
- Não possuem canal medular.
- Área de contato mais ampla entre os fragmentos, permitindo uma penetração mais fácil do tecido ósseo em formação.
- Ocorre diretamente entre as superfícies dos ossos, sem a presença de calo.
- Hematoma.
- Penetração de vasos sanguíneos e células osteogênicas nas superfícies fraturadas, até que se encontrem e se fundam com tecido semelhante que cresce do fragmento oposto.
- Osteoblastos depositam a matriz intercelular, que se calcifica para formar o osso primário.
Fases do Processo de Consolidação
- 1ª Fase - Hematoma: Estágio do hematoma com necrose óssea adjacente. Duração: 1 a 2 semanas.
- 2ª Fase - Inflamação: Morte dos osteócitos peri-fraturários (anel avascular).
- 3ª Fase - Proliferação Celular: Formação de um "colar" de tecido ativo e reabsorção óssea.
- 4ª Fase - Calo Mole: Proliferação de osteoblastos e condroblastos formando cartilagem.
- 5ª Fase - Calo Duro: Mineralização do osso primário. Esta fase se prolonga por vários meses.
- 6ª Fase - Remodelação: Remoção do excesso de osso fora das linhas de força. Pode levar de meses a anos.
Tipos de Consolidação da Fratura
- Consolidação Óssea Primária: Tratamento cirúrgico com redução anatômica e fixação rígida (placas e parafusos).
- Consolidação Óssea Secundária: Tratamento conservador ou incruento (imobilização gessada, tração).
Fraturas na Criança e Adolescente
O tratamento depende da idade e do tipo de lesão. O osso infantil possui maior plasticidade e capacidade de remodelação devido à atividade do periósteo e das físes (centros de crescimento).
- Classificação de Salter-Harris: Utilizada para lesões fisárias.
- Tipos comuns: Deformidade plástica, fratura por compressão, galho verde e epifisárias.
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Quais são as fases da consolidação óssea?
O processo tem seis fases: hematoma, inflamação, proliferação celular, calo mole, calo duro e remodelação. A remodelação pode durar de meses a anos.
Qual a diferença entre consolidação primária e secundária?
A consolidação primária é tratada cirurgicamente, com redução anatômica e fixação rígida por placas e parafusos. A secundária é tratada de forma conservadora, com imobilização gessada ou tração.
Por que o osso esponjoso consolida de forma diferente do cortical?
O osso esponjoso tem maior vascularização intrínseca e maior área de contato entre os fragmentos, por isso se reparam diretamente, sem formação de calo. O osso cortical consolida com calo.
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