Resumo Completo de Micologia Médica e Micoses Clínicas

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Micologia Médica: Principais Micoses e Características Clínicas

Micoses Superficiais

Pitiríase Versicolor: causador: Malassezia. Quadro clínico: manchas, interfere na síntese de melanina; faz parte da microbiota normal (pele e couro cabeludo). Fatores predisponentes: suor, oleosidade, clima quente e úmido. Localização frequente: tórax, abdômen e face. Diagnóstico laboratorial: técnica de fita adesiva/porto; observação de blastoconídios em cachos e hifas curtas e curvas.

Tinea Negra: agente etiológico: Phaeoannellomyces werneckii (Hortaea werneckii). Manifestações: mácula isolada com coloração de castanho a negra, localizada frequentemente nas palmas das mãos e plantas dos pés. Coleta: escarificação.

Piedras: nódulos aderidos ao pelo. Podem ser classificados em:

  • Piedra Branca: nódulos claros, mais comum em região pubiana.
  • Piedra Negra: nódulos escuros, mais comum no cabelo.
  • Fatores e diagnóstico: associada à falta de higiene; ao exame direto observam-se hifas claras septadas e hifas escuras unidas.

Micoses Cutâneas (Dermatofitoses)

Dermatofitoses: causadas por dermatófitos como Trichophyton. Características: descamação (escamas), pelo infectado, invasão dentro do bulbo, presença de esporos. Afinidade: fungos com preferência por queratina.

  • Apresentações clínicas: Tinea barbae (barba), Tinea capitis (couro cabeludo), Tinea corporis (corpo), Tinea pedis (pés), Tinea unguium (unhas) e Tinea manuum (mãos).
  • Diagnóstico: coleta por escarificação cutânea ou raspagem ungueal.

Hialo-hifomicose e Feo-hifomicose: fungos como Nattrassia e Scytalidium. Encontrados no solo e em plantas (fungos filamentosos). Acometem frequentemente indivíduos imunocomprometidos (podendo gerar infecção subcutânea). Afetam pele, unha, pelo e mucosas, apresentando hifas hialinas ou escuras (demáceas).

Micoses Oportunistas e Mucocutâneas

Candidíase: agente etiológico: Candida spp. (com destaque para Candida albicans). Lesões em pele, unha e mucosas (trato digestivo e vagina), além de dermatites.

  • Fatores predisponentes: imunocomprometimento, uso de antibióticos de largo espectro, corticoterapia, diabetes mellitus, AIDS e gestação.
  • Candida albicans e manifestações: atinge boca, tubo digestivo e vagina. Na cavidade oral causa placas pseudomembranosas ("sapinho"), eritema e queilite angular ("boqueira").

Micoses Subcutâneas

Esporotricose: agente: Sporothrix schenckii. Transmissão por mordedura, arranhadura animal ou inoculação por espinhos. Fungo dimórfico e ubiquitário na natureza.

  • Apresentações clínicas: tumores, ulcerações, acometimento linfático com nódulos em trajeto linear. Forma localizada (ex.: boca, olhos), formas disseminadas (múltiplos nódulos e úlceras) e formas extracutâneas (órgãos internos).
  • Fatores de risco e diagnóstico: desnutrição, AIDS, uso de antibióticos e corticoides. Diagnóstico laboratorial via coleta de secreção e exsudato.

Cromoblastomicose: causada principalmente por Fonsecaea pedrosoi. Hifas com septos ou não, fungos isolados ou agrupados; colônias aveludadas a algodonosas; conídios ovais em volta do conidióforo.

  • Quadro clínico e evolução: infecção crônica causada por fungos demáceos; formação de nódulos e úlceras, especialmente em membros inferiores, com aspecto verrucoso característico em "couve-flor".
  • Transmissão e diagnóstico: inoculação traumática (traumas com espinhos e vegetais). Diagnóstico por exame direto, coleta de pus e escamas; tratamento inclui intervenção cirúrgica.

Eumicetomas (Micetomas Fúngicos): caracterizados por eliminação de grãos em lesões de pés, pernas e braços. Tríade clínica clássica: tumefação, abscessos e fístulas. Relação ocupacional com traumas em agricultores. Tratamento envolve drenagem cirúrgica e, em casos graves, amputação.

Lobomicose (Doença de Jorge Lobo): agente: Lacazia loboi. Visualização de células leveduriformes com parede de duplo contorno, dispostas de forma catenulada (em cadeia). Produz lesões cutâneas isoladas ou disseminadas com aspecto queloidiano ("queloide"). Comum em garimpeiros. Tratamento: cirurgia com exérese da lesão associada a antifúngicos.

Micoses Sistêmicas e Profundas

Paracoccidioidomicose: agente: Paracoccidioides brasiliensis. Inalação de propágulos/filamentos que atingem o pulmão e diferenciam-se na forma de levedura. Apresenta formas aguda, crônica, unifocal e multifocal.

  • Morfologia microscópica: levedura com brotamento múltiplo em aspecto de "roda de leme", aspecto de "cabeça de Mickey" ou "asa de borboleta", células catenuladas sem hifa, duplo contorno residual e estruturas muriformes em exame direto.

Histoplasmose: causada por Histoplasma capsulatum. Inalação de microconídios e fragmentos de micélio que se alojam nos alvéolos pulmonares. Acomete principalmente imunocomprometidos.

  • Características: macroconídios e microconídios esféricos, hialinos (estalagmosporos). Na cultura fúngica, apresenta aspecto cotonoso, com coloração que varia do branco ao bege-claro.

Criptococose: agente: Cryptococcus neoformans. Infecção adquirida por via inalatória; atinge os pulmões e dissemina-se para o Sistema Nervoso Central (SNC), causando meningite fúngica. Fungo presente no solo, frutas e excretas de aves.

  • Sintomas e diagnóstico: náuseas, cefaleia e febre moderada. Diagnóstico por microscopia direta (tinta da China), cultura e aspiração de medula ou líquido cefalorraquidiano.

Aspergilose: causada por espécies do gênero Aspergillus (Aspergillus spp.).

  • Formas clínicas: otomicose, onicomicose, sinusite fúngica e bola fúngica (aspergiloma). Fatores de risco incluem áreas de queimadura e ferimentos expostos.
  • Morfologia e diagnóstico: presença de hifas septadas, dicotômicas (ramificadas em ângulo agudo), paralelas e hialinas com cabeça conidial (conidióforo). Diagnóstico estabelecido por biópsia e cultura de secreções; tratamento pode demandar remoção cirúrgica.

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