Teorias do Valor e da Distribuição na Economia
I. Teoria Objetiva e Subjetiva do Valor
A. Teoria Objetiva do Valor (Marxista)
Karl Marx desenvolveu a teoria do valor, razão pela qual ela também é chamada de teoria marxista. A teoria objetiva do valor destina-se a explicar o conceito de valor. Esta teoria possui três características principais:
- É histórica, pois explica o valor em uma dada sociedade.
- É objetiva, pois reconhece a existência de processos econômicos objetivos em uma comunidade.
- É social, pois estuda o valor do ponto de vista da produção total da sociedade.
A seguir, definimos outros conceitos importantes:
- Mercadoria: Bem que se destina à troca ou comércio. Possui duas características principais: a satisfação das necessidades humanas (valor de uso) e a possibilidade de troca ou venda (valor de troca).
- Valor de Uso: A capacidade de um bem satisfazer as necessidades humanas.
- Valor de Troca: A capacidade de uma mercadoria ser trocada por outra.
B. O Valor do Trabalho
Todo trabalho possui um duplo caráter: é tanto trabalho abstrato quanto trabalho concreto.
- Trabalho Concreto: É o trabalho específico realizado pelos produtores (ex: o trabalho do sapateiro, do agricultor).
- Trabalho Abstrato: É o trabalho igual realizado por todos os produtores; representa o dispêndio de energia física e mental.
Existe outra classificação do trabalho baseada em como ele é descrito:
- Trabalho Simples: É aquele cuja realização não requer preparação especial.
- Trabalho Humano: É o uso da mão de obra simples, que todo ser humano possui em seu corpo físico, sem a necessidade de educação especial.
- Trabalho Complexo: É mais do que trabalho simples, pois uma pequena quantidade de trabalho complexo pode equivaler a uma grande quantidade de trabalho simples.
O Tempo de Trabalho Socialmente Necessário é aquele que é requerido para produzir qualquer valor de uso em condições normais de produção e com o grau de habilidade e intensidade de trabalho existentes na sociedade.
C. Formas de Valor
O valor é expresso em bens, pois estes são produtos do trabalho humano. Segundo Marx, existem quatro formas de manifestação do valor:
- Forma Simples
- Forma Total
- Forma Geral
- Forma de Dinheiro
D. Componentes do Valor da Mercadoria
O valor da mercadoria é composto por três elementos, cada um representando a adição de um novo montante de trabalho:
- Capital Constante (C)
- Capital Variável (V)
- Mais-Valia (P)
II. Teoria Subjetiva do Valor
A. Necessidades
O professor Zamora afirma que:
“A necessidade é essencialmente um sentimento de falta, de inadequação. É uma emoção devida ao desequilíbrio que afeta o bem-estar psicofisiológico.”
Quando a necessidade desaparece, atinge-se o equilíbrio psicossomático, que é o bem-estar do indivíduo. A conhecida hierarquia das necessidades humanas foi proposta por H. Maslow.
As características das necessidades são três:
- Qualidade: Características específicas que a necessidade possui.
- Quantidade: Expressão quantitativa do desequilíbrio que a necessidade gera.
- Intensidade: A força com que se sente a necessidade.
B. Bens e Serviços
Bens são objetos materiais que, por sua natureza, têm a capacidade de satisfazer as necessidades humanas. Há quatro condições para que um objeto seja considerado um bem:
- Que haja uma necessidade de um recurso específico.
- Que essa coisa tenha qualidades que a tornem adequada para satisfazer a necessidade.
- Que essas qualidades sejam conhecidas.
- Que seja possível ter acesso à coisa.
Além dos bens, os serviços também atendem às necessidades humanas, sendo, portanto, satisfatores. Um serviço é um resultado do trabalho que não se manifesta sob a forma de bens materiais tangíveis.
Os produtos são classificados da seguinte forma:
- De acordo com sua natureza:
- Bens Naturais
- Bens Humanos
- Bens Mistos
- De acordo com o seu papel (função):
- Bens Intermediários (Pré-satisfacientes)
- Bens Finais (Satisfacientes Reais)
C. Teoria da Utilidade do Valor
A Utilidade e a Escassez aplicam-se a qualquer propriedade que atenda às necessidades. Se os bens são escassos em relação às necessidades individuais, eles terão uma utilidade maior, o que significa que o indivíduo lhes atribui maior valor.
Em um sistema econômico capitalista, o indivíduo não consegue satisfazer todas as suas necessidades, pois possui bens que são escassos e deve usá-los de forma alternativa. Assim, surge a necessidade de trocar alguns bens por outros ou por dinheiro. Teoricamente, cada indivíduo usará um plano racional para otimizar suas trocas.
III. Teoria da Distribuição: Salários, Juros e Rendas
A. Conceito e Classificação de Salário
Salário é a remuneração pelo trabalho. O salário é uma categoria histórica, pois existe em um certo período histórico: o capitalismo. Portanto, o salário é o pagamento do trabalho ou o preço pela utilização da força de trabalho alheia.
Os conceitos mais relacionados ao trabalho são: salário, pagamento, vencimento, remuneração, honorários, entre outros. Pode-se falar em quinzena ou semana como o prazo para o pagamento dos salários. Os salários podem ser classificados como segue:
- Salário Individual: Salário pago por uma tarefa específica.
- Salário Total (Bruto): Salário antes dos descontos.
- Salário Nominal: Salário expresso em moeda corrente.
- Salário Real: Salário medido pelo poder de compra (bens e serviços que podem ser adquiridos).
- Salário Base: Salário estabelecido em contrato.
- Salário Mínimo: Salário legalmente estabelecido como o menor valor permitido.
B. Produção, Produtividade e Salários
A remuneração pelo trabalho assume a forma de salários no sistema capitalista. Como a produção e o trabalho são processos históricos e sociais, a forma de remuneração também é histórica e social.
Produtividade é a relação entre a produção total e os recursos utilizados na produção, especialmente o trabalho.
Produtividade Total = Produção Total / Número de Empregados
O aumento da produtividade significa um aumento da produtividade média total, elevando a produção total e o desempenho no trabalho.
C. Teoria Objetiva e Subjetiva dos Salários
- Teoria Objetiva: O trabalho socialmente necessário da população economicamente ativa cria um produto social, e é este produto que é compartilhado entre as diferentes classes sociais.
- Teoria Subjetiva (Marginal): Argumenta que o salário é a remuneração do trabalho. Alega ainda que a remuneração de cada fator de produção é feita de acordo com a produtividade marginal de cada fator.
D. Capital
Capital é tudo o que torna possível a produção. É o conjunto de meios de produção. Todos os bens utilizados na produção são chamados de bens de capital ou bens de produção. Do ponto de vista contábil, o capital é definido como a diferença entre o que uma empresa possui (ativos) e o que deve (passivos), de modo que:
Capital = Ativos - Passivos
Se o capital é uma categoria base do capitalismo, o processo de acumulação de capital é o motor do desenvolvimento capitalista.
De acordo com os componentes de valor (segundo a teoria objetiva/marxista), o capital é classificado em:
- Capital Constante: É representado pelos meios de produção (máquinas, matérias-primas).
- Capital Variável: É o capital investido na compra da força de trabalho (salários).
O capital também é classificado de acordo com a esfera da produção onde é aplicado:
- Capital Comercial
- Capital Fictício
- Capital de Giro
- Capital Industrial
- Capital Financeiro
- Capital Monetário
- Capital Produtivo
- Capital Usuário
O Retorno sobre o Capital é o lucro ou ganho capitalista obtido sobre o investimento.
E. Lucro (Ganho)
O Lucro é o rendimento disponível recebido pelos capitalistas por seus investimentos de capital. O objetivo dos capitalistas é obter lucro, pois, uma vez recuperado o investimento, o restante é lucro.
Diferentes tipos de lucro são divididos de acordo com a produção e sua importância. A renda de uma sociedade pode ser dividida entre salários e mais-valia.
O Investimento é feito com parte dos lucros para esse fim e permite a poupança para poupadores e investidores.
F. Juros
Juros é o preço pago pela utilização de fundos emprestados. Estes fundos podem ser usados para a compra de bens ou de capital no processo de produção.
O juro é o que o credor recebe quando o empréstimo é pago e o capital é recuperado. É classificado como:
- Juro de Curto Prazo: Aquele recebido por um crédito que não excede um ano, podendo ser por menos tempo.
- Juro de Longo Prazo: Os créditos recebidos por um período superior a um ano.
Baseado no método de cálculo, pode ser:
- Juros Simples: É cobrado apenas sobre o capital inicial em um determinado período.
- Juros Compostos: É aquele que existe quando o juro não é cobrado no final de cada período, mas é acumulado e adicionado ao capital emprestado para gerar mais juros.
G. Renda (Rendimento da Terra)
Renda é o pagamento feito pelo uso da terra. É a parte do produto da colheita que é paga ao proprietário pelo uso dos poderes originais e indestrutíveis do solo.
O Arrendamento é uma das formas que a renda assume. O senhorio é o proprietário que cedeu seu imóvel por um tempo especificado e mediante um pagamento estabelecido em contrato ao inquilino, que utiliza o bem e paga a renda pelo seu uso.
A renda no sistema capitalista existe devido ao monopólio da terra pertencente aos proprietários e ao fato de que a terra é um recurso limitado que possui qualidade diferenciada.
O aluguel (renda) é parte do excedente econômico criado pelos trabalhadores produtivos e pode ser gasto em consumo ou investimento.