Vesiculopatias: Patologias e Cuidados Nutricionais

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Colestase

  • Sedimentação desenvolvida na vesícula biliar por falta de estimulação ou liberação da bile. Pode ocorrer em pacientes em NP (Nutrição Parenteral) por período prolongado.
  • A prevenção inclui estimulação da motilidade, secreções intestinais e biliar através de NE (Nutrição Enteral) mínima ou terapia com drogas.

Discinesia Biliar

  • Vaga indisposição abdominal.
  • O esfíncter de Oddi falha em se abrir corretamente e pode chegar ao espasmo. A bile acumula-se na vesícula biliar, causando aumento da pressão.
  • Pode haver alteração na contração da vesícula sem a presença de lesões inflamatórias.
  • Pode ser: atônica ou hipertônica.

Colelitíase ou Litíase Biliar

  • Formação de cálculos biliares no lúmen da vesícula ou da árvore extra-hepática.
  • Coledocolitíase: desenvolve-se quando os cálculos se introduzem nos ductos biliares, produzindo obstrução e cólicas.
  • Pode evoluir para colecistite.

Fisiopatologia

A bile não consegue manter o colesterol solúvel. A insolubilidade forma depósito amorfo ou cristalino. Pode ser assintomático, até que algum cálculo desça pelo ducto e gere os sintomas.

Colecistite

  • Inflamação da vesícula biliar, com ou sem cálculos.
  • Causas: a) Cálculos biliares que obstruem os ductos biliares; b) Infecção bacteriana; c) Colestase.
  • As paredes da vesícula biliar ficam edemaciadas, espessadas e geram distensão.
  • Formas: Colecistite aguda ou colecistite crônica.
  • Sintomas: Dores abdominais no quadrante superior direito, devido ao processo inflamatório, náuseas, vômitos e flatulência. Pode ocorrer icterícia, devido ao refluxo da bile com retorno à circulação.

Colangite Esclerosante Primária

  • Processo inflamatório e fibrosante que estreita e obstrui progressivamente os canais biliares extra-hepáticos e intra-hepáticos.
  • Vesícula biliar fibrosa com inflamação crônica difusa e moderada.
  • Etiologia desconhecida.
  • Incidência maior em homens acima dos 40 anos. Ocorre também em crianças.
  • Clinicamente, a obstrução biliar progressiva leva a uma icterícia obstrutiva persistente e, finalmente, a uma cirrose biliar secundária.
  • Prognóstico: a sobrevida é de cerca de seis anos após o diagnóstico.

Cuidado Nutricional em Vesiculopatias

  • Não há tratamento preventivo para impedir a colelitíase em indivíduos susceptíveis.
  • O tratamento dietético inclui baixo nível de gordura para diminuir a estimulação da vesícula biliar.

Fase Aguda

  • Manter a vesícula inativa tanto quanto possível.
  • Suspender VO (via oral), no caso de vômitos exacerbados; se necessário, uso de NE elementar (jejuno) ou NPT (Nutrição Parenteral Total).
  • Reiniciar VO com alimentação hipolipídica (20-25% do VET) para reassumir as funções vesiculares, ou dieta com 30 a 50g de lipídios/dia, até a remoção cirúrgica.

Fase Crônica

  • Para pacientes com excesso de peso, a primeira medida é a correção do peso corporal.
  • O VCT (Valor Calórico Total) deve-se adequar à manutenção ou redução do peso corporal.
  • Deve-se conservar a dieta pobre em gordura, cerca de 20-25% das calorias totais.
  • Dieta normoglicídica e normoproteica.
  • Atentar para as vitaminas lipossolúveis.
  • Líquidos e fibras devem estar aumentados.
  • Corrigir constipação intestinal, que é muito frequente.
  • Controle de colesterol e modificação da consistência poderão ser necessários.
  • Evitar alimentos flatulentos.

Pós-operatório

  • Após a colecistectomia, reinicia-se a dieta em presença de ruídos hidroaéreos — RHA(+).
  • Dieta hipolipídica: é aconselhável conduzir uma dieta pobre em gorduras nas primeiras semanas por até quatro a seis meses, dependendo da tolerância do paciente.
  • Progredir com a dieta, conforme a tolerância, até a dieta habitual.
  • Após um período, o trato biliar se dilata, formando uma “bolsa”, que permite que a bile fique presa de maneira similar à vesícula biliar original.