A Arte no Século XIX: Do Romantismo ao Impressionismo
Romantismo
A Revolução Francesa, as guerras napoleônicas que atingiram a Europa e a crise interna do Antigo Regime resultaram na perda da fé na razão. Em resposta, surgiu uma nova sensibilidade, caracterizada pelo valor fundamental dado ao sentimento, à exaltação da paixão, à intuição, à imaginação e à liberdade individual. O Romantismo é, sobretudo, uma forma de sentir.
A Pintura Romântica
A pintura romântica rejeita as convenções e regras neoclássicas, representando um momento de renovação técnica com implicações estéticas fundamentais. Utiliza diversas técnicas: óleo, aquarela, gravuras e litografias. A textura passa a ser valorizada, com superfícies ásperas e formas sutis. A pintura torna-se livre, expressiva e a cor recupera seu poder sugestivo, liberando formas e limites. A luz é um agente emocional de primeira ordem, com gradações teatrais e caráter enigmático. As composições tendem a ser dinâmicas, marcadas por linhas curvas e gestos dramáticos, embora autores como Friedrich prefiram padrões geométricos.
- Romantismo Alemão: A figura central é Friedrich (1774-1840), cuja representação da natureza coloca o homem como espectador diante da magnitude do infinito. Obras: Moonrise sobre o mar e O Viajante em um mar de neblina.
- Romantismo Francês: O autor mais representativo é Eugène Delacroix (1798-1863), mestre da cor e da energia. Obras notáveis: O Massacre de Chios e A Liberdade Guiando o Povo.
- Romantismo Inglês: Destaca-se Turner (1775-1835), pioneiro na exploração da cor e da luz atmosférica, com obras como Chuva, Vapor e Velocidade.
Arquitetura: Ferro, Vidro e Modernismo
O século XIX foi um período de transição marcado pelo embate entre a tradição e as novas técnicas da Revolução Industrial.
Arquitetura Historicista
Arquitetos do século XIX reviveram estilos históricos (neo-bizantino, gótico, neo-renascentista, etc.) sem, contudo, criar uma linguagem nova. O Neo-gótico foi o mais importante, com figuras como Viollet-Le-Duc na França e obras como o Parlamento de Londres.
A Arquitetura do Ferro
Nascida da Revolução Industrial, utiliza ferro fundido, aço e vidro. As paredes deixam de ser estruturais, permitindo grandes vãos e espaços iluminados. Exemplos: Crystal Palace (Paxton), Torre Eiffel e a Estação de Atocha.
Escola de Chicago
No final do século XIX, a necessidade de otimizar o valor do terreno urbano nos EUA levou ao surgimento do arranha-céu, com estruturas de aço e elevadores. Louis Sullivan é seu principal representante.
Modernismo
Fenômeno complexo que reflete a sociedade burguesa do final do século. Destaca-se pelo uso de formas sinuosas, decoração floral e integração total entre estrutura e ornamento. Victor Horta é o pioneiro na Bélgica. Na Espanha, Antoni Gaudí destaca-se com obras como a Sagrada Família e a Casa Milà.
Pintura do Século XIX: Do Impressionismo ao Pós-Impressionismo
A industrialização e a fotografia transformaram a percepção da realidade, dando origem ao Impressionismo.
Impressionismo
Os impressionistas (Monet, Renoir, Pissarro, Degas) buscavam capturar o fugaz, a luz e a atmosfera. Pintavam ao ar livre, utilizando cores puras e pinceladas rápidas. A luz tornou-se o verdadeiro sujeito da obra. Monet focou na variação da luz, Renoir na beleza humana e Degas no movimento e na figura humana.
Pós-Impressionismo
Movimento que recuperou a importância do desenho e da expressividade:
- Van Gogh: Uso emocional da cor e pinceladas sinuosas, antecipando o expressionismo.
- Paul Gauguin: Foco no exótico, no primitivismo e no uso de planos de cor arbitrários.
- Paul Cézanne: Recuperou o volume através da geometria, sendo o ponto de partida para o cubismo.
Escultura: Rodin
Auguste Rodin (1840-1917) revolucionou a escultura ao aplicar critérios impressionistas, valorizando o fragmento e o jogo de luz e sombra. Obras: O Burguês de Calais, Balzac e O Beijo.