Atos decisórios do juiz no processo civil: sentença, decisão interlocutória e despachos

DireitoAtualizado em 3,34 KB

Resumo

O texto explica os atos decisórios do juiz no processo civil brasileiro, distinguindo-os dos atos executivos. Apresenta a classificação do art. 162 do CPC em sentença, decisão interlocutória e despachos, com seus conceitos e exemplos. Também diferencia despacho de decisão, quanto à recorribilidade, e trata dos despachos de mero expediente.

Pontos-chave

  • Atos decisórios visam preparar ou obter a declaração da vontade concreta da lei no caso concreto; atos executivos visam realizar efetivamente essa vontade sobre o patrimônio do devedor.
  • O art. 162 do CPC classifica os atos decisórios do juiz em sentença, decisão interlocutória e despachos.
  • Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente (art. 162, § 2º).
  • Despachos são ordens judiciais sobre o andamento do processo, também chamados ordinatórios ou de expediente, e não decidem incidente algum.
  • Do despacho não cabe recurso (art. 504), enquanto da decisão cabe sempre agravo de instrumento (art. 522).
  • O processo começa por iniciativa da parte, mas se desenvolve por impulso oficial do juiz (art. 262).

Teste-se

Atos Decisórios

Conforme a natureza do processo (de cognição ou de execução), os atos do juiz podem ser divididos em atos decisórios propriamente ditos e atos executivos.

Nos atos decisórios, visa-se a preparar ou obter a declaração da vontade concreta da lei frente ao caso sub iudice.

Já nos atos executivos, procura-se a realização efetiva da mesma vontade, através de providências concretas sobre o patrimônio do devedor, para satisfação do direito do credor (atos, por exemplo, que ordenam a penhora, a arrematação, a adjudicação etc.).

A enumeração dos atos decisórios do juiz está feita pelo próprio Código, que, no art. 162 - CPC, os classifica em:

  • a) Sentença;
  • b) Decisão interlocutória;
  • c) Despachos;

Definição dos Atos Decisórios do Juiz

Decisão Interlocutória

Decisão, em sentido lato, é todo e qualquer pronunciamento do juiz, resolvendo uma controvérsia, com o que abrange, em seu significado, as próprias sentenças.

A decisão interlocutória, porém, tem um conteúdo específico, diante do conceito que o Código lhe emprestou de maneira expressa. Corresponde, assim, ao ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente (art. 162, § 2º - CPC).

Despachos

Despachos são as ordens judiciais dispondo sobre o andamento do processo, também denominadas despachos ordinatórios ou de expediente.

Com eles não se decide incidente algum, tão somente, se impulsiona o processo que tanto podem ser proferidos ex officio, como a requerimento das partes.

Deve-se, a propósito, lembrar que, pela sistemática de nosso Código, o processo começa sempre por iniciativa da parte. Não há instauração ex officio da relação processual. Mas, uma vez provocada a atividade jurisdicional pela parte interessada, o processo desenvolve-se por impulso do juiz, independentemente de nova provocação do litigante (art. 262 - CPC).

São exemplos de despachos ordinatórios: o que recebe a contestação, o que abre vista para parte, o que designa data para audiência, o que determina intimação dos peritos e testemunhas etc.

É importante distinguir entre despacho e decisão, porque do primeiro não cabe recurso algum (art. 504 - CPC), enquanto desta cabe sempre agravo de instrumento (art. 522).

Para tanto, deve-se considerar despachos de mero expediente que visem unicamente à realização do impulso processual, sem causar nenhum dano ao direito ou interesse das partes. Caso, porém, ultrapassem esse limite e acarretem ônus ou afetem direitos, causando algum dano (máxime se irreparável), deixarão de ser de mero expediente e ensejarão recurso. Configurarão, na verdade, não despachos, mas verdadeiras decisões interlocutórias. Para liberar o juiz do peso inútil de despachos meramente ordinatórios e sem qualquer conteúdo valorativo, como os relativos à juntada e à vista obrigatória, a Lei n. 8.952/94, acrescentou ao art. 162 o § 4º, para permitir que o escrivão ou secretário, de ofício, os pratique.

Baixar

PDF Word HTML

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre despacho e decisão interlocutória?

O despacho apenas impulsiona o processo e não decide incidente algum, por isso não cabe recurso. A decisão interlocutória resolve questão incidente no curso do processo e cabe agravo de instrumento. Se um despacho causar dano ou afetar direitos, passa a ser tratado como decisão interlocutória.

O que é decisão interlocutória segundo o CPC?

É o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente, conforme o art. 162, § 2º do CPC. Em sentido amplo, decisão é qualquer pronunciamento do juiz que resolve uma controvérsia, inclusive a sentença.

Quais são exemplos de despachos ordinatórios?

São exemplos o despacho que recebe a contestação, o que abre vista para a parte, o que designa data para audiência e o que determina a intimação de peritos e testemunhas.

Teste-se

Cartões de revisão

Clique em um cartão para ver a resposta.

Teste

1. Segundo o art. 162 do CPC, quais são os atos decisórios do juiz?
2. Qual é a finalidade dos atos executivos?
3. Do que não cabe recurso, segundo o texto?
4. Qual recurso cabe sempre contra a decisão, segundo o texto?
5. Quem pode praticar despachos de mero expediente como juntada e vista obrigatória, conforme a Lei n. 8.952/94?
6. Como o processo civil se inicia, segundo o Código descrito no texto?

Perguntas geradas com IA a partir do documento: verifique as respostas com o texto.