Sífilis e Hanseníase: resumo clínico, diagnóstico e tratamento

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Resumo

O documento apresenta um guia clínico sobre sífilis, causada por Treponema pallidum, e hanseníase, causada por Mycobacterium leprae. Descreve as fases da sífilis, os critérios de diagnóstico sorológico, o seguimento e os esquemas de tratamento. Para a hanseníase, aborda as formas clínicas, os diagnósticos diferenciais, a classificação paucibacilar e multibacilar e as reações hansênicas.

Pontos-chave

  • A sífilis primária caracteriza-se por cancro duro, único e indolor, acompanhado de adenite não inflamada.
  • A sífilis secundária surge cerca de 2 meses após o cancro e pode incluir erupção cutânea generalizada e roséola sifilítica.
  • Na sífilis, VDRL positivo com FTA-ABS positivo indica infecção não tratada ou recentemente tratada.
  • A benzatina penicilina 2,4 milhões UI IM é o tratamento de referência; em alérgicos usam-se tetraciclina ou eritromicina.
  • Na hanseníase, o diagnóstico é clínico, apoiado pela baciloscopia positiva e pelo teste de Mitsuda.
  • Casos paucibacilares (até 5 lesões) são tratados com dapsona e rifampicina por 6 meses; multibacilares com clofazimina adicionada por 12 meses.

Teste-se

Sífilis

SÍFILIS: Treponema pallidum

Primária: cancro duro, único, indolor, fundo limpo, borda endurecida + adenite não inflamada, bilateral, simétrica, indolor.

  • Sífilis decapitada: sífilis primária sem cancro (já teve sífilis, contágio por hemotransfusão, uso prévio de antibiótico).
  • Cancro misto (Rollet): cancro duro + mole.

Secundária: 2 meses após o cancro, condiloma plano, linfadenopatia generalizada, erupção cutânea generalizada, roséola sifilítica, sifílides papulosas, alopécia, madarose, placas mucosas, condilomas planos, sifilide elegante (negros - em orifícios naturais), paroníquia.

Terciária: gomas, tabes dorsalis, aneurisma aórtico, artropatia de Charcot.

Diagnóstico:

  • VDRL – FTA-ABS +: precoce ou cura.
  • VDRL + FTA-ABS –: falso positivo.
  • VDRL + FTA-ABS +: não tratada ou recentemente tratada.

Seguimento: VDRL 3/3 meses no 1º ano; se ainda tiver título, 6/6 meses no 2º ano.

Tratamento:

  • Benzatina penicilina 2,4 milhões UI IM.
  • Neurossífilis: penicilina cristalina 2,4 milhões UI IV 4/4h por 10 a 14 dias.
  • Latente recente (contágio até 1 ano): tratamento como secundária.
  • Latente tardia (contágio há mais de 1 ano ou desconhecido): tratamento como terciária.
  • Alérgicos: tetraciclina ou eritromicina.
  • Grávida alérgica: dessensibilizar e depois penicilina.

Hanseníase

HANSENÍASE: Mycobacterium leprae

Transmissão: secreções nasais e orofaríngeas.

Quadro clínico:

  • Indeterminada: mácula hipocrômica, borda irregular, alteração sensitiva, sem pelos. Diagnóstico diferencial: pitiríase alba, tinea corporis, pitiríase versicolor.
  • Tuberculoide: placa eritematosa, às vezes com centro hipocrômico, bem delimitada, perda total da sensibilidade. Diagnóstico diferencial: tuberculose cutânea, granuloma anular.
  • Virchowiana: múltiplas lesões nódulo-tuberosas, infiltradas, mal delimitadas, por vezes confluentes. Pápulas e nódulos irregulares gerando a típica “fácies leonina”. Diagnóstico diferencial: micose fungoide, tuberculose cutânea, acne queloidiana.
  • Dimorfa ou borderline: múltiplas lesões, mescla características de tuberculoide e virchowiana. Diagnóstico diferencial: farmacodermia.

Diagnóstico: clínico (lesões dermatológicas com alteração de sensibilidade), baciloscopia positiva; teste de Mitsuda (valor prognóstico e auxilia na classificação da doença).

Tratamento:

  • Paucibacilar (até 5 lesões; indeterminada ou tuberculoide): dapsona + rifampicina por 6 meses.
  • Multibacilar (mais de 5 lesões; dimorfa ou virchowiana): dapsona + rifampicina + clofazimina por 12 meses.

Reações hansênicas:

  • Tipo 1 ou reversa: exacerbação de lesões pré-existentes, novas lesões, neurite. Tratamento: prednisona.
  • Tipo 2 ou eritema nodoso: nódulo subcutâneo eritematoso doloroso, orquite, irite, várias itess. Tratamento: talidomida.

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Perguntas frequentes

O que significa VDRL positivo e FTA-ABS negativo na sífilis?

Segundo o texto, essa combinação corresponde a um falso positivo. Não indica necessariamente infecção por sífilis.

Qual é o tratamento da sífilis em grávidas alérgicas à penicilina?

O texto indica dessensibilizar a paciente e, depois, administrar penicilina.

Qual a diferença entre hanseníase paucibacilar e multibacilar?

A paucibacilar tem até 5 lesões (forma indeterminada ou tuberculoide) e é tratada com dapsona e rifampicina por 6 meses. A multibacilar tem mais de 5 lesões (dimorfa ou virchowiana) e recebe também clofazimina, por 12 meses.

Teste-se

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Teste

1. Qual é o agente causador da hanseníase?
2. Quanto tempo após o cancro costuma surgir a sífilis secundária?
3. Qual é o tratamento de referência da sífilis indicado no texto?
4. Qual esquema é indicado para hanseníase paucibacilar?
5. Qual medicamento é indicado para reação hansênica tipo 2 (eritema nodoso)?
6. Qual é o seguimento da sífilis com VDRL no primeiro ano?

Perguntas geradas com IA a partir do documento: verifique as respostas com o texto.